Proposta
Processo Ensino - Aprendizagem
"Sempre colocaremos educação e instrução
lado a lado: a mente não será desenvolvida em detrimento
do coração." (Herança e Missão,
pág. 05)
O conhecimento sempre pressupõe a relação
sujeito - objeto, o que quer dizer que a compreensão de mundo
está sempre vinculada a uma relação de um sujeito
que observa o mundo e interage com ele. Assim, o real só
tem sentido quando nos damos conta de sua existência.
A nossa relação com o objeto do conhecimento, quer
seja físico, simbólico ou imaginário, passa
por um processo de construção, e a forma como concebemos
essa relação no processo educativo é que irá
determinar a nossa concepção de Educação,
assim como a prática pedagógica em sala de aula.
A relação sujeito - objeto é dialética,
pois o sujeito opera como agente construtor e o objeto se impõe
de acordo com a realidade que ele traz. Na construção
do conhecimento também se considera a interação
social e o tempo histórico.
Assim, compreender qual o processo de aquisição do
conhecimento e as operações cognitivas que o aluno
utiliza para a sua aquisição e a sua assimilação
são aspectos importantes a serem considerados pelo educador
de uma escola de Santa Cruz, que planeja a intervenção
pedagógica para facilitar o processo ensino-aprendizagem
e a sua significação para o aluno.
O processo de aquisição do conhecimento não
é tarefa individual, isso porque o ser humano em seu ambiente
sócio-cultural tem a tarefa de não só compreendê-lo
mas também a de modificar o mundo em que vive, além
de construir o alicerce da estrutura interna de seus próprios
conhecimentos e compartilhá-los, o que promove a confiança
e o respeito mútuo que permeiam a relação interpessoal
e, consequentemente, a cidadania.
A escolha dos conteúdos e a metodologia da aula têm
uma relação especial com a construção
do conhecimento, pois ambos também se voltam para o objetivo
de promover situações que ajudem o nosso aluno a repensar
a sociedade em que vive, um sujeito crítico, criativo, que
constrói os ideais com relação ao mundo que
quer ter.
"Podemos estabelecer o tipo de ensino que queremos dar...
Mesmo baseando nossa filosofia na fé, ninguém precisa
temer que confinaremos nosso ensino dentro de limites estreitos
e não científicos. Aceitaremos as descobertas da ciência
sem preconceito e de forma adaptada às necessidades de nossos
tempos... Não queremos que nossos alunos ignorem qualquer
coisa que devam saber." (Herança e Missão, pág.
04).
Metodologia
O processo educacional tem como substância a informação
a serviço da formação voltada para a transformação.
Na INFORMAÇÃO estão contidos o conhecimento
e as habilidades desenvolvidas com os alunos, visando prepará-los
para a vida e para o trabalho no futuro. Entretanto, a informação
está a serviço da FORMAÇÃO, que prioriza
o desenvolvimento intelectual e espiritual dos estudantes. A formação,
dirigida à TRANSFORMAÇÂO, trabalha com os valores
e a qualidade de vida que os estudantes são ensinados e incentivados
a abraçar.
Estudantes "que formarão o mundo a seu redor, determinando
o futuro. Assim, eles se tornam agentes de transformação.
Estes três aspectos são inseparáveis dentro
da herança de Santa Cruz." (Herança e Missão,
pág. 11)
A partir dos princípios filosóficos supracitados,
que regem o nosso projeto, consideramos a aquisição
de conhecimento pelo aluno como um processo que se constrói,
valorizando a sua produção e o significado que tem
em seu processo ensino-aprendizagem.
Para fundamentar essa prática, buscam-se os pressupostos
teóricos que propõem uma metodologia em que, na construção
do conhecimento pelo aluno, a intervenção do professor
sempre conduz, com questionamentos e problematizações,
à investigação, levando-o à construção
de hipóteses e conclusões na elaboração
conceitual.
Sem deixar de lado aspectos importantes como a memorização,
procura-se discutir e problematizar com o nosso aluno, ajudando-o
a compreender as leis que compõem o sistema, dando oportunidade
para uma análise diferenciada, estabelecendo relações
com o contexto sócio-cultural.
A dinâmica privilegia o trabalho em grupo e subgrupo, no
qual, a partir de questionamentos do professor, o aluno pode levantar
hipóteses e o grupo registrar as suas conclusões para
confirmá-las ou não. O clima das discussões
é importante, pois desperta a curiosidade e pode antecipar
aspectos relevantes do conteúdo estudado. Antecipar envolve
a construção de hipóteses a partir dos dados
obtidos no contexto. No grupo, os alunos sistematizam o conhecimento,
discutem as dúvidas respondendo às questões,
além de corrigir possíveis erros.
O professor, como mediador entre o objeto do conhecimento e o aluno,
deve estar atento, procurando compreender como ele analisa, organiza
e estabelece relações com este objeto, para que suas
intervenções possam ser planejadas visando facilitar
esse processo, o processo ensino-aprendizagem.
A aula é o momento em que se espera que o aluno experimente,
com o outro, muitas possibilidades de trocas e descobertas conjuntas,
utilizando-se das operações mentais, sistematizando
o seu conhecimento para ampliá-lo na vivência, transformando-o
na realidade. Supondo que o aluno já traz consigo o interesse
em conhecer, devendo ser sempre provocado, o papel inicial do educador,
no dia a dia da escola, é possibilitar o vínculo entre
o sujeito e o objeto do conhecimento, tornando-o significativo.
E, na medida em que este aluno traz o conhecimento para a escola,
é também papel do professor considerá-lo, e,
a partir dele, desencadear a sua proposta, que será a ocasião
de reconstrução deste conhecimento.
A equipe pedagógica se propõe a trabalhar com a aula
operatória, o que significa se dispor a uma postura metodológica
que envolve um relacionamento forte, afetivo com o aluno, numa ação
em que o grupo se vê compromissado com a construção
do conhecimento e com um professor que divide essa construção,
decorrente de sua relação com eles. A aula é
o momento em que a problematização criada gera inquietação
e esta, por sua vez, desencadeia uma postura de questionamento frente
à Ciência: experimentando, ampliando as informações,
sistematizando os seus conhecimentos. Assim, estaremos contribuindo
verdadeiramente com a formação de cidadãos
críticos e autônomos.
Avaliação
Numa proposta educacional que valoriza a construção
do conhecimento e a formação integral do aluno, a
avaliação é concebida como parte integrante
do processo ensino-aprendizagem. Compreende um conjunto de atuações
e uma diversidade de instrumentos e situações que
tem a função de alimentar, sustentar e orientar a
intervenção pedagógica. Para nós, ela
deve ocorrer sistemática e continuamente, valorizando o processo
e não só o produto. Tem como desafio maior superar
o caráter de terminalidade e de medição de
conteúdos aprendidos, a fim de que os resultados sejam concebidos
como indicadores para a reorientação da prática
educacional.
Partindo de uma avaliação diagnóstica, que
oferece informações valiosas a respeito do conhecimento
de cada aluno, do seu contexto e do seu conteúdo, o professor
redimensiona os objetivos propostos, planeja a sua ação
educativa com vistas à aprendizagem individual e/ou de todo
grupo e reflete continuamente sobre a sua prática.
"... O corpo docente vem a ser a ponte para os alunos aprenderem
maneiras nas quais sabedoria e fé convergem. Servindo como
esta ponte, o corpo docente está entre os principais agentes
formadores das consciências dos estudantes. E essa é
a responsabilidade mais sagrada do ambiente escolar." (Herança
e Missão, pág. 7)
Ao planejar, é fundamental que o professor inclua na avaliação
a utilização de diferentes códigos (oral, escrito,
gráfico, numérico, pictórico etc.), a observação
sistemática e a análise das produções
e das atividades específicas para a avaliação
das habilidades e das competências dos alunos, compondo um
quadro real das aprendizagens conquistadas.
A avaliação realizada pelo aluno, a auto-avaliação,
permite a ele uma tomada de consciência de seus avanços,
de suas possibilidades e dificuldades, desenvolver estratégias
de análise e interpretação de suas produções
de forma crítica e coerente, construindo assim sua identidade
como um jovem cidadão.
"A formulação e a articulação
da escola de sua autoidentidade, e o entendimento e prática
do corpo docente / funcionários de seus papéis, moldam
a qualidade de instrução e educação
que os estudantes recebem. Os estudantes devem reconhecer e saber
que estão num ambiente que os conduz a um crescimento intelectual
e espiritual, ambiente este que os desafia a este crescimento."
(Herança e Missão, pág. 8)
No âmbito da escola, a avaliação estabelece
expectativas de aprendizagem dos alunos, expressas nos objetivos,
conteúdos e critérios propostos, refletidos e utilizados
pela equipe pedagógica. Entendendo a avaliação
como processual, o CND adota um sistema que compreende a aprendizagem
do aluno nos aspectos afetivo, intelectual, psico-motor e social,
valorizando a formação integral que é objetivo
da Educação de Santa Cruz, na qual "...sempre
colocaremos educação e instrução lado
a lado; a mente não será cultivada em detrimento do
coração..." (Herança e Missão,
pág.5) |